Resistencia Galega defínese como "brazo armado do pobo"

Un manifesto remitido a GC advirte que "a resistência galega prosseguirá os ataques contra todas as pessoas, organizaçons ou instituiçons comprometidas com o regime de ocupaçom". É o segundo comunicado da organización en seis anos.

Por Walter Burns | Santiago | 04/10/2011 | Actualizada ás 00:02

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As forzas de seguridade do Estado sinalan a Resistencia Galega como a segunda ameaza terrorista en España, despois do grupo armado vasco ETA. Unha opinión que comparten os grandes medios estatais, especialmente despois da bomba colocada na sede da Fundación Manuel Fraga a pasada semana.

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Con todo, despois de seis anos con ducias de explosións e sabotaxes, non hai ningún condenado por pertenza a esta suposta organización terrorista. Os dous únicos presos até hoxe, Santiago Vigo e José Manuel Sánchez, non son membros de grupo terrorista algún, segundo as sentencias condenatorias tras seren sorprendidos cun artefacto ao carón dunha inmobiliaria da Ría de Noia.

Resistencia Galega é un grupo organizado ou unha "marca blanca"?

Un dos motivos das dificultades da Forzas de Seguridade para demostrar a existencia dun grupo terrorista galego é a ausencia de reivindicacións. Todas as accións supostamente obra de Resistencia Galega seguen un guión similar.

Bomba de madrugada cun artefacto caseiro, habitualmente elaborado con pólvora de bombas de palenque ou camping gas, contra os intereses de empresas do ladrillo, patronais, o INEM ou sedes do PP e PSdeG. E logo un sorprendente silencio.

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Unha ausencia de reivindicacións que levou aos responsábeis policiais a considerar a Resistencia Galega como unha posíbel "marca branca", unha especie de lema ao que diferentes pequenos grupos de militantes independentistas de esquerda poderían recorrer para xustificar o uso da violencia contra o que eles consideran enemigos de Galicia.

De feito, até hoxe, o termo "resistencia galega" só aparecera nunhas poucas pintadas ao carón de ataques e, sobre todo, no manifesto fundacional, publicado o Día da Patria de 2005 no Indymedia do Brasil.

Críticas aos resultados electorais do nacionalismo

Este luns GC e outros medios recibiron un correo anónimo, remitido mediante un servidor especializado, co que parece ser o segundo 'comunicado oficial' do colectivo. As firmas, linguaxe, argumentación, estrutura e contidos do texto son similares ao publicado en 2005. Polo tanto, en opinión de GC, posúe credibilidade e todo apunta a que é verídico.

O manifesto argumenta que Galicia sofre un estado de excepción produto dun marco legal (Constitución e Estatuto non ratificado democraticamente polo pobo. Ademais de atacar, como era de agardar, ás forzas políticas e sindicais estatais, o texto tamén destaca o pobre resultado electoral do independentismo até o de agora. É máis, sinala que o nacionalismo obtivo os seus mellores resultados nas urnas cando actuaba o extinto EGPGC.

A continuación reproducimos integramente o manifesto tal e como chegou a esta redacción este luns:

SEGUNDO MANIFESTO POLA RESISTÊNCIA GALEGA

       Transcorridos mais de seis anos desde a publicaçom do primeiro manifesto pola resistência galega, consideramos a ocasiom  de fazermos um pequeno balanço e propiciarmos  um momento de reflexom coletiva, com o ânimo de reforçar o compromisso inequívoco com o futuro da nossa Naçom.
       Durante os últimos seis anos, os combatentes da resistência galega continuaram com firmeza e determinaçom a luita iniciada dezasseis anos atrás, traduzindo em feitos e realidades as orientaçons contidas no primeiro manifesto. Foram capazes de atacar ininterruptamente múltiplos objetivos do inimigo, causando quantiosas perdas económicas a partidos políticos e sindicatos espanhóis hegemónicos (PP-PSOE-CCOO-UGT), promotoras-construtoras e imobiliárias, infraestruturas de comunicaçons, infraestruturas industriais, banca, patronal, instituiçons espanholas de emprego, conhecidos intelectuais espanholistas e repressores do Estado. Consolidaram-se novos caminhos de organizaçom e luita, fieis, em todo momento, ao princípio de privilegiar a acçom e a unidade combativa.
       Nestes anos, políticos do regime, jornalistas e intelectuais, agentes policiais e judiciais, tenhem monopolizado o discurso sobre a resistência galega. Um discurso praguejado de especulaçons interessadas e sustentado sobre objetivos repressivos e de controlo social, como nom se podia esperar outra cousa de quem trabalha direta ou indiretamente para destruir a auto-organizaçom do povo. As agências mediáticas-publicitárias dos nossos inimigos estám para isto. Som financiadas polos empresários para corromper a consciência do povo. Com toda a confusom e distorsom que estas agências podam provocar, o futuro da nossa luita nom se joga neste terreno. Num mundo saturado de palavras e mensagens, o futuro do nosso povo, hoje mais que nunca, está inscrito na capacidade de criar sólidas redes de combate, no poder incontestável dos feitos e na capacidade de alterar radicalmente a normalidade democrática que nos destrói como povo. As imagens mais relevantes da resistência galega som os feitos, os estragos causados no conglomerado de ocupaçom e o pesar e a intranquilidade levados às máfias político-económicas e intelectuais que nos assovalham. O melhor discurso é a acçom que cria poder de facto para tomar o futuro nas nossas maos.
        A resistência galega, braço armado do povo, forma parte ativa do processo de libertaçom nacional e social da Galiza. Os seus ativistas participam da vida comunitária do nosso povo, das suas organizaçons populares e e do seu sistema de solidariedade. Sabemos bem o que queremos, sabemo-lo desde há quase um século de arredismo galego: a defesa da nossa terra,  a independência e o socialismo. Os inimigos da nossa terra também o sabem. Os média existem para a confusom e a propaganda,  o que vendam nom nos interessa.

       A existência da resistência galega está-lhe servindo ao Estado de justificaçom para dispor de poderes extraordinários, exercer um férreo controlo policial sobre forças políticas e movimentos sociais independentistas do País, para militarizar todo tipo de atividade pública na rua e judiciar formas de expressom e comunicaçom social. Mais umha vez, a guerra contra o “terrorismo” e o “radicalismo violento” é hoje a melhor forma de legitimar práticas repressivas  e ataques contra as liberdades públicas e direitos coletivos, que adquirem umha gravidade especial na medida em que se beneficia de um débil sujeito político nacional e de um difuso estado social de niilismo. Sabemos que quando um povo se defende, a sua vida torna-se sempre um pouco mais difícil. Por isso resistir está trazendo consequências, “complicando-nos” a vida a todos e todas um pouco mais. Som as complicaçons que traz sempre debaixo do braço a dignidade e a coragem, a determinaçom de nom submeter-se e a defesa in
 transigente da terra na que se vive. Foram as complicaçons que tiveram os sete jovens independentistas detidos no transcurso dos últimos seis anos, seis deles encarcerados e condenados por um tribunal especial por literalmente “subverter a ordem constitucional espanhola”. Som as complicaçons que tiveram os seus familiares e a comunidade mais próxima a eles.  Som as complicaçons que tiveram e tenhem todos os povos que pelejam pola sua independência.
       Dirigimo-nos agora a todos/as os/as represaliados e afetados pola luita armada no nosso país, ao Coletivo de Presos Independentistas Galegos, aos seus familiares, amigos e amigas que os acompanham e apoiam, aos/às patriotas que cairám presos os próximos anos e a todo o movimento de solidariedade com os detidos e encarcerados. Som um referente para todos/as. Frente à Galiza do medo, medo a perder o trabalho, medo a nom conseguir emprego, medo a defender-se, medo a estar muito próximo dos que se defendem, a ser detido, a ir à cadeia, medo ao futuro, medo até de nós próprios..., afirmam  a Galiza livre e guerrilheira. O seu exemplo reforça a determinaçom inabalável do arredismo galego no caminho empreendido. Os agressores da nossa terra ponhem-nos umha e outra vez ante o mesmo dilema: paz social e tranquilidade pessoal por legalidade e acatamento dos imperativos sistémicos que estám destroçando o nosso país, liquidando a nossa cultura e levando à desesperaçom à nossa classe trabalhadora. Mas a paz tam tentadora que nos oferecem é a paz dos cemitério, a paz de um povo impotente e sem memória, a paz de um território arrasado, de umha cultura vandalizada, de umha paisagem lunar sem vida, sem futuro. A tranquilidade pessoal é a do desenraizamento e o descompromisso, a da amnésia e a depressom, a do cínico.
       Os custos pessoais e sociais da luita armada, da defesa da nossa terra e dos nossos trabalhadores, da conquista da nossa independência, som infinitamente mais leves que os do desarme e o acatamento das regras que nos imponhem. A resistência pode pagar-se com a cadeia, mas muito, muito mais duro, é o inferno que nos espera a todos e todas se ficamos passivos ante as milícias de políticos-empresários a invadir e expropriar as nossas terras, a arrasar com todo o que encontram por diante, a apropriar-se mafiosamente do nosso território, ocupar montanhas, costas, rios..., cuspir-nos na face decretos de plurilinguismo e reformas estruturais que arruínam o nosso povo e engordam aos de sempre. A verdade é que nom nos ameaça nengumha sorte de soluçom final, catástrofe iminente. O que nos está a suceder é algo pior que isso. É umha dolorosa devastaçom administrada homeopaticamente.

       Existe umha violência destrutiva sobre a nossa terra e a nossa identidade como povo que é necessário parar já, como seja. O imperativo das coaçons som demasiado profundas para o nosso povo (e para nós como pessoas) para que a resposta possa tomar forma sem um conflito e umha concentraçom e mobilizaçom de força. Deve ser dito com clareza, a dia de hoje, o mono-cultivo da estrita legalidade  é o nosso cadafalso. Sem conflito nom  há mudanças, nom há futuro. A existência de conflito aberto, a construçom de trincheiras de resistência, indica que existe um processo de câmbio, tenta fazer valer o nosso direito à sobrevivência.
       Devemos tomar consciência da situaçom que estamos vivendo. Umha situaçom novidosa e dramática em muitos aspetos, que exige afrontar a realidade com a plasticidade que esta realidade mesma sugere. Vivemos tempos e situaçons que exigem novas respostas e compromissos mais arriscados por parte de todos e todas, se queremos salvar o país que ainda nos fica. Temos passado demasiado tempo minimizando danos, achicando água, remendando rotos, até o dia que nom tenhamos já nada que salvar, que reparar, que proteger nem defender. Chegou mesmo a hora de dizer basta e passar a umha auto-defensa mais pró-ativa, que recupere a iniciativa e o terreno perdido a favor dos inimigos da nossa Terra, cada vez mais encorajados e dispostos a todo.
       Podemos e devemos correger em muitos casos atitudes petrificadas que impedem aglutinar novos esforços de luita. Impedir que a vital mobilizaçom de construçom nacional acabe convertida em refúgio local a prova de problemas e “complicaçons”, que a necessária actividade cultural-intelectual se transforme num idealismo de novo tipo, alimentado por novas elites. Práxis inoperantes, grávidas das mais subtis racionalizaçons, que acabam justificando a submissom das opçons políticas às exigências diárias do programa colonizador dos nossos inimigos.
       A justa pluralidade de abordagens e matizes nom deve ser confundida com a pura politicaria como adaptaçom permanente às condiçons dadas em nome do realismo, mentres deixamos o coraçom e a alma em paz, ou com a segurança e comodidade pessoais (o salve-se quem poda) como único horizonte existencial, ou com a pura teoria e o mero entretimento. Podemos e devemos cultivar a capacidade imaginativa, a auto-organizaçom popular e o ativismo político-social comunitário, sem por isso limitar o nível de açom e respostas de contra-poder e autodefesa ante o exercício de um poder e umha maquinária institucional, infraestrutural e repressiva que reduzem drasticamente o nosso futuro como naçom. O quadro de legitimidade espanhol, com as suas aparências de democracia e sano pluralismo, preocupa-se também de satisfazer regularmente as nossas consciências (morais e inteletivas), orientando as apostas políticas por um jogo de gratificaçom associado ao respeito da sua legalidade, possibilitando pe
 quenos mundos prazenteiros que acabam por criarem altas relaçons de dependência e umha larvada agressividade contra todo aquilo que pode vir alterar a tranquilidade, o formato e o estátus de precárias ilhas de autonomia (sejam estas institucionais ou social-comunitárias).
       A pressom ideológica das agências de propaganda do regime, hoje mais agressivas e prepotentes que nunca, nom nos vai intimidar. Na Galiza, a democracia (para quem ainda esteja disposto a salvar o que de digno poda ficar nesta palavra) é umha máscara. Isto sabem-no quase todos e todas muito bem, ainda que nom todos estejam dispostos a tirar disto algumhas consequências necessárias. Os democratas espanhóis apelam aos princípios democráticos unicamente para dar umha aparência de legitimidade. A sua principal força é esta. Convém lembrar todas as vezes que faça falta que o nacionalismo galego nom participou, no período da transiçom democrática espanhola, dos pactos da moncloa e nas suas sequelas de consenso constitucional (estatuto de autonomia...etc). E convém lembrar, também, que  a  constituiçom espanhola, o estatuto de autonomia e a andamiagem legislativa construída nestes 36 anos de democracia, estám vigentes sem o aval democrático da Galiza. Só o 44,7% e o 20,7% de galegos
 e galegas votaram favoravelmente no referendo constitucional e estatutário. Sabemos que as legitimidades históricas (e mais ainda nestes tempos tolos) valem o que valem. Mas se aos espanhóis lhes valem para impor-nos um quadro jurídico-político forçado no seu dia polas armas e as oligarquias político-económicas, aos galegos e galegas servem-nos para plantar-lhes cara com todas as armas ao nosso alcanço. A memória histórica permite-nos reactualizar este nosso compromisso geraçom trás geraçom.
       A realidade crua e nua é a de umha Galiza que leva 36 anos baixo um estado de excepçom democrático, firmemente assentado sobre velhas estruturas franquistas no nosso país. Um regime cuja espinha dorsal está constituída  por um conglomerado de ocupaçom formado por holdings industriais-comerciais-infraestruturais-energéticos-financeiros, o cartel político-sindical-mediático espanhol e as forças policiais do Estado. Se como se dize, a democracia realmente funciona diversificando o poder, dando-lho a muitos, na Galiza nunca houvo tanto desapoderamento popular a todos os níves. Este conglomerado de ocupaçom, esta rede criminal, em cujo seio concorrem as elites político-económicas e sindicais, à frente de umha associaçom permanente, (com os seus lobbys, os seus think tanks, os seus vozeiros, o seu aparelho partidário e repressivo), assentada sobre a sua gigantesca maquinaria eleitoral a prova de grandes falhos, e com as facas sempre afiadas, vem marcando a sangue e lume os destino
 s da nossa naçom. Representa o conjunto de poderes sociais e políticos que temos que derrotar.

       Fomos impotentes para impedir a instalaçom no nosso país deste estado de exceçom democrático e desenvolvimentista com um nível de corrupçom e depredaçom gigantescos, que tudo têm feito para suster umha economia de pilhagem permanente, espanholizar-nos a marchas forçadas e retirar das galegas e galegos o controlo sobre a nossa terra e o nosso próprio destino como povo. A paisagem atual é bem conhecida. Maior controlo parlamentar (subindo do 3% ao 5% a percentagem de votos necessários para aceder ao parlamento autonómico). Processos cronificados de corrupçom político-económica (Limeisa, Sogama, Ence, Reganosa, promoçom industrial eólica, promoçons residenciais-urbanísticas, planos de colonizaçom turística, projetos da  indústria alimentar e extrativa...etcétc). Conselheiros e diretores gerais de braço dado com poderosas empresas do holding, alcaldes e concelheiros convertidos em agentes imobiliários. Xunta, deputaçons e concelhos convertidos em poderosas agências de colocaçom
 para a clientela alargada do cartel político. Nepotismo, intrincadas redes de favores, interesses, clientelismos e negócios. Expansionismo da logística mercantilista (mar-terra) como nova vantagem competitiva e selvagens processos de industrializaçom e concentraçom territorial para engorde de todos os mono-cultivos. Construtoras, promotoras, agentes urbanizadores, gestores de infraestruturas e industrialistas da pior estofa convertidos nos terra-tenentes da Galiza, engordados a base de milheiros  de hectares de solo industrial, urbanístico, turístico e infraestrutural, ameaçando dramaticamente os nossos ecossistemas e a nossa soberania alimentar (reduçom drástica de cultivos importantes para a alimentaçom do nosso povo, fechamento de exploraçons agro-pecuárias...). Organismos  tecnocráticos e fechados que controlam os nossos recursos e infraestruturas. Expropriaçons políticas das nossas terras para entregar-lhas aos holdings industriais em nome da “utilidade pública”. Prevaricaçons ambientais e urbanísticas. Irregularidades nos processos de concessons energéticas. Decreto de plurilinguismo que sacrifica -mais umha vez- o nosso idioma para eliminá-lo da faz da terra, mesmo infringindo a legislaçom, a jurisprudência e esquivando os ditames da Real Academia Galega e do Conselho da cultura galega. Controlo de meios de comunicaçom. Reformas estruturais elaboradas e impostas antidemocraticamente polos chefes do conglomerado de ocupaçom que baixo a coarctada da crise e a acalmia dos mercados financeiros internacionais, têm empreendido nos dous últimos anos umha terrível estratégia de choque contra o nosso povo trabalhador: Legalizaçom e maiores faculdades para as agências privadas de emprego com ânimo de lucro, precariedade dos estatutos de trabalho e emprego, abaratamento e facilitaçom do despedimento, recortes sociais e salariais, reduçom das pensons, privatizaçom dos serviços públicos, reforma da negociaçom coletiva (potenciando os convénios de empresa e a sua flexibilidade para que os patronos podam seguir fazendo o que lhes pete), entrega da metade do sistema financeiro atuante na Galiza a novos bancos e novos fundos privados de investimento..etcétc.
       A democracia espanhola vem sendo o melhor lubrificante para a consolidaçom deste banditismo na nossa naçom.  No nome do estado de direito e da graça representativa estamo-nos ficando sem língua, sem memória, sem terra, sem aldeias, sem comunidade, sem trabalho digno no nosso país, sem filhos, sem naçom, sem esperança, sem nada. “Foge dos que falam de democracia”, dizia o velho moribundo no seu leito, na estampa do nosso lúcido Castelao. Exatamente isto é o que faz a resistência galega, seguir os sábios conselhos do nosso velho, para desmascarar aos inimigos da nossa terra e atacá-los ali onde se encontram. A legitimidade democrática (para quem ainda nom tenha desistido desta palavra), agora e aqui, está no poder popular galego e na capacidade para fazer-nos respeitar, garantir a defesa da terra e a nossa sobrevivência como povo. É umha luita complicada, mas iniludível. A luita armada da resistência galega inscreve-se nela. Sozinha nom pode mudar as cousas, mas sem ela os nossos inimigos nos borram do mapa.

       Nos últimos vinte anos fomos testemunhas da esterilidade e da deriva daquelas estratégias políticas soberanistas cujo “único” horizonte som as auto-vias legais e institucionais, assim como daquelas táticas confinadas “exclusivamente” ao marketing político e ao ciclo eleitoral, que desprezam a consolidaçom de esferas de contra-poder e resistência. Estratégias e táticas que habitualmente caminham da mao. Nom se atrevem a tirar as consequências necessárias do facto de a Espanha nom ser a Canadá ou a Suíça (por citar dous países tam adulados por todos os progres em termos de simples formalidades democráticas). Rússia seria umha comparaçom mais atinada, em termos de ausência de cultura democrática, recalcitrante nacionalismo espanhol, máfias político-empresariais e tratamento expeditivo das tensons secessionistas: Guerra suja, terrorismo de Estado, ilegalizaçons políticas...etc.
       Alá foi para o lixo a proposta Elkarri (1996)  para estabelecer um novo quadro em Nafarroa e a comunidade autónoma basca através da disposiçom adicional primeira da constituiçom, referida aos direitos históricos dos territórios forais. Alá foi para o lixo o estatuto político da comunidade livre associada de Euskadi (borrador do chamado plano Ibarretxe). E alá foi também o flamante novo estatut catalá em 2010. As tribulaçons deste último estám ainda bem frescas. Um simples exercício legalista de maior descentralizaçom administrativa, blindagem competencial e afirmaçom de símbolos (sancionado por um parlamento  e referendado por um corpo eleitoral) convertido finalmente num suculento exibicionismo de autoridade democrática. Desbastado pola comissom constitucional do Congresso espanhol e escovado depois polo tribunal constitucional, rematou “limpo como umha patena”, sem qualquer nódoa de inconstitucionalidade (sem naçom efetiva, sem blindagem, sem bilateralidade, sem justiça autónoma, sem monolinguismo...). Todo um exemplo de democracia real, que funciona, que sabe impor-se. E quando a luita nacionalista se coloca em termos que impossibilitam qualquer exibicionismo democrático por parte do Estado, aí está a ameaça da força “constitucionalista”, a violência pura e dura, a guerra suja, os GAL , as legislaçons especiais transferidas aos códigos ordinários e o estado de exceçom policial. Esta é a democracia espanhola.
       Abandonada até polos mais furibundos reformistas a via direta da revisom constitucional como porta para a consecuçom de maior nível de poder político, ainda ficava a esperança de -agarrando-se à ambiguidade e interpretatibilidade  da constituiçom e amparando-se em novas correlaçons de forças partidárias-  forçar novas releituras por meio de novas formulaçons estatutárias, exercer a via do  “poder estatuinte”. Um  exercício de imaginaçom alargada para inovar dentro das instituiçons espanholas existentes. Agora sabemos algo mais das suas hipóteses. A sentença do tribunal constitucional, delimitando o alcanço dos chamados “estatutos de segunda geraçom”, marca o fechamento do Estado Autonómico. Todavia, em breve teremos de novo ocupando as estruturas do Estado aos pirómanos do Partido Popular (em consonância com umha clara tendência eleitoral direitista em toda a Europa), dispostos a vacinar definitivamente o sistema constitucional espanhol contra os inimigos da Espanha e a fazer valer sem médias tintas o fechamento definitivo do modelo de Estado (conhecemos as suas tropelias melhor que ninguém). Trazem os dentes afiados, vêm com ganhas de mais sangue, que significa mais “estado de direito” e mais “normalidade democrática”.

       Na Galiza atual, em termos do poder institucional existente, nem existem condiçons para um verdadeiro câmbio político (o câmbio soberanista) nem estamos na fase de concretar nengum verdadeiro câmbio político. Esta é umha realidade dura, mas inexorável, com a que teremos que conviver polo menos nas próximas duas décadas e que condiciona qualquer estratégia de libertaçom nacional. Se Espanha nom é Canadá, Galiza tampouco é Euskal Herria ou Catalunha, para tudo o bom e para tudo o mau. Afirmar isto parece umha enorme obviedade, mas é necessário repeti-lo umha e outra vez porque existe a tendência a focar o nosso trabalho político e social como se realmente nom fosse assim.
       Devemos compreender realmente os rasgos trágicos e singulares que distinguem a Galiza, onde umha verdadeira máfia político-económica espanholista -herdada em boa parte do franquismo- se apoderou do sistema nervoso do nosso povo, da sua esfera pública e dos resortes da sua reproduçom social. Quase quarenta anos de cartelizaçom política implacável que somados aos precedentes 40 anos de franquismo (em parte continuados) acabaram por conformar um quadro político, social e até cultural tam diferente à das outras naçons submetidas polo estado espanhol. Um tsunami que também acabou levando-se por diante ao nacionalismo galego, papado polo conglomerado de ocupaçom, traindo os princípios essenciais do “mínimo nacionalismo”, e incapacitado para qualquer intervençom real sobre os conflitos sociais.
       As consequências som as de umha Galiza violentamente desapropriada, descoletivizada, desgaleguizada e desnacionalizada. O Partido Popular na Galiza, depois de mil e umha tropelias, continua com as suas expectativas eleitorais (de maiorias absolutas) quase intactas, foi capaz de renovar-se geracionalmente e fortalecer novas e sólidas lideranças. E pode existir na Galiza até um 15% da populaçom disposta a abraçar apostas políticas de corte ultra-espanholista, produto do controlo político, social e institucional do nosso país por parte do Partido Popular durante várias décadas, o que é de todo irrelevante na Catalunha e em Hego Euskal Herria. Por isso umha formaçom para-quedista como UPyD puido obter nas primeiras eleiçons autonómicas galegas às que se apresentou (Março-2009) 23.445 votos (a quarta formaçom política mais votada) , mais do triplo de todos os votos das formaçons soberanistas galegas em eleiçons autonómicas desde 2001. Formaçons soberanistas incapazes de arranharvotos ao nacionalismo autonomista e até superadas eleitoralmente pola emergência de novos “movimentos cívicos” e candidaturas independentes com nula implantaçom social e escassa capacidade publicitária.
       Ante esta realidade político-institucional e ante um contexto de rápidas e profundas mudanças que se estám operando na sociedade galega (novos processos de organizaçom produtiva, radicalizaçom da sociedade tecnológica,  fragmentaçom e formaçom de novas redes sociais ao amparo da exacerbaçom do individualismo e o consumismo...etc) o independentismo galego hoje nom tem ferramentas de poder adequadas para levar a cabo o seu projeto político e social. Com este complicado panorama, o mono-cultivo do ciclo eleitoral seria o seu suicídio, a melhor maneira de render-se sem luitar. Seguirá sendo marginal em termos eleitorais (por muitas unidades milagrosamente  multiplicadoras de votos que se levem a cabo) se nom for capaz de fazer visível o conflito nacional e social, além de elaborados programas eleitorais, alarde de cidadanismo e ativismo intelectual. Ou “priorizamos” o conflito (num sentido amplo, sem exclusons) ou a normalidade democrática (o cidadanismo constitucional) que nos oferecem os nossos carrascos. Eis a escolha. Se optamos polo primeiro podemos ainda sonhar algum dia com “votos democráticos” e a naçom pode ter algumha hipótese; se optamos polo segundo, nos comem numha fartura de alarde de Estado de direito.
       A resistência galega defende umha estratégia nom sectária e abrangente de defesa da terra, construçom nacional, poder popular e socializaçom da necessidade de fazermos o nosso próprio caminho, para enfrentar com êxito este estado de exceçom democrático e alcançar a independência. Umha estratégia simultaneamente política, social-comunitarista, cultural-identitária, económica e armada (de autodefesa). Historicamente, nunca o independentismo revolucionário tem invocado esquemas de umha única carta e, portanto, tampouco renunciado a tácticas de trabalho eleitoral-institucional que possibilitassem âmbitos de gestom para levar a cabo a nossa estratégia. Todavia, os sectores mais combativos do nosso povo têm surgido maioritariamente de umha tradiçom exemplar de ativismo político, social, operário-sindical e cultural. A construçom nacional e o tipo de socialismo que é possível, nom se podem derimir sobre umha base meramente teórica. A toma de consciência das forças que as impedem ex
 ige de todas nós umha oposiçom muito realista, muito pragmática e contundente. Umha oposiçom fora de toda ilusom mas também de todo derrotismo.
       Tem-se colocado muitas vezes -errónea ou interessadamente- as respostas de autodefesa no nosso país como um lastre para a acumulaçom de forças políticas e sociais, o qual nom se atém aos feitos históricos. Dá-se ciclicamente umha certa tendência para transferir responsabilidades e incapacidades organizativas e políticas àqueles sectores mais combativos do povo. Problemas estruturais e crónicos do independentismo galego que acabam sempre por esconder-se trás o bode expiatório da luita armada. Nom cabe a menor dúvida de que esta tem sido bastante mais problematizada por correntes políticas esquerdistas que pola classe trabalhadora e os sectores populares. Correntes que, ante dinâmicas novas e mais decididas de luita, acabam escondendo detrás da invocaçom às massas as suas misérias humanas, o seu doutrinarismo vazio, a sua falta de capacidade de liderança e um sentimento de ameaça à sua hegemonia ideológica e ao seu estátus político. Temores, dogmatismo e elitismo acabam  traduzidos a teoria política para desembocar em convulsons internas e novas frustraçons. A repressom do Estado acaba sendo um parente pobre destas dinámicas auto-destrutivas.
       O certo é que o independentismo galego nunca estivo tam forte como quando soubo compaginar inteligentemente todas as frentes de luita e articular um amplo leque de respostas. E o nacionalismo nunca medrou tanto (polo menos em termos eleitorais) como quando a luita armada estivo mais presente na Galiza. Entre 1985 e 1993 o nacionalismo galego (baixo umha  liderança mais carismática, exibindo ainda algumhas velhas palavras de ordem e com o ruído de fundo da luita guerrilheira)  passou, nas sucessivas eleiçons autonómicas, de arredor do 2% ao 18% dos votos, de ter um deputado a ter treze, a maior subida eleitoral nacionalista de sempre.

       Os processos de pacificaçom (de velhos conflitos armados independentistas) abertos na Europa nos últimos 15 anos nom podem fazer-nos esquecer quem somos, nem ocultar a verdadeira dimensom dos problemas que temos na nossa casa. As bandeiras que se içam e arriam polo mundo adiante nom podem substituir em nengum caso as que a nossa própria realidade nos obriga. Como arma legitimadora som um trasto inútil, porque sempre haverá por aí fora algum estandarte que colme de poderosas razons as mais diversas apostas políticas no nosso país. Nós somos nós, cada povo sacha a sua horta e recolhe os seus frutos como pode e quando pode.
       Estes processos -nalguns casos ainda em curso- foram engordando dalgumha maneira umha espécie de “ideologia da pacificaçom” fortemente impulsionada polas agências de propaganda do regime. Umha ideologia que insiste em fortes traços pós-modernos, o “fim-da-história” em formato europeu, o mais cru abandono de toda luta que nom esteja moldada pola ordem imposta, um futuro para a nossa terra decidido inteiramente por instituiçons estrangeiras e os mercados. Permite  fazer tábua rasa da nossa própria realidade para idealizar um presente que promete, sem lugar a dúvidas, autêntica democracia política, tolerância, convivência e respeito pola diversidade.  Esta injeçom de “ideologia pacificadora” está envenenando a parte do corpo social e especialmente às correntes esquerdistas mais aburguesadas e legalistas do nosso país, auto-convencidas de que o povo galego vive já abraçado a qualquer sorte de ética eleitoral e institucional.
       Mas o que verdadeiramente lhe dá a dimensom letal a esta ideologia pacificadora som as profecias sobre as possibilidades “revolucionárias” de um conjunto convergente de novas tecnologias, verdadeira cruzada despolitizadora (no sentido mais nobre que ainda poda ter esta palavra), que se comporta como se estivesse acima de identidades coletivas e classes sociais, que vende novas legitimidades, democracia e participaçom, transparência, poder e liberdade como nunca o tinha feito antes. Os cabos de fibra ótica convertidos nos “legítimos herdeiros da ágora ateniense”. A Web, em democracia direta.  A nossa terra, no país de todos que é internet. O povo galego, no novo sujeito de câmbio: as redes sociais. A nossa comunidade nacional, em comunidade invisível-virtual, sem terra, sozinha em casa, sem rosto e sem corpo, sem visibilidade social, recolhida na intimidade pessoal, distante e socialmente insensível. A nossa liberdade como povo, num novo saber caído do céu eletrónico. O poder
coletivo e as instituiçons soberanas que necessitamos, diluídos num sistema de geografia desmaterializada, convertidos no poder da revoluçom cibernética, juvenil e individualista.  As vicissitudes da luita de libertaçom nacional, no happening e na lei do mínimo esforço, esse “domingo da vida” que permite rematar com a fatalidade do esforço e as provaçons, como essas cremes cosméticas crio-térmicas que reduzem a gordura mentres se dorme placidamente; todo o que temos que fazer é deixar-nos levar ou premer um botom e passar pola rede, as novas barricadas. E as transformaçons sociais? Elas já estám em marcha, imparáveis e irresistíveis, animadas polos nossos opressores, velai a mobilidade elétrica ou a estaçom do AVE em Vigo, todo um fito social-revolucionário, o novo motor da história, que transformará felizmente as nossas vidas.
       Ideologia, mas também umha estratégia que em muitos aspetos está a funcionar como aquela chamada “revoluçom verde” exportada nos anos 60-70 polos principais países capitalistas aos países do terceiro mundo, difundida amplamente como umha arma ideológico-infraestrutural contra o comunismo. E, na verdade, nada tinha que ver com a ecologia nem com qualquer necessidade social, era apenas monocultura e tecnologia para aumentar o controlo político e social, a produçom e a produtividade. Foi umha forma de colonialismo muito mais refinado e trouxo umha catástrofe ecológica, cultural, social e territorial, umha autêntica desfeita.

       Os dirigentes democráticos estám empenhados em conseguir por meios económicos, tecnológicos e infraestruturais (poder brando) o que ainda nom puderam conseguir por meios políticos e policiais (poder duro). É neste espaço que o poder nos está lançando um dos maiores desafios. Procuram a internalizaçom da ideologia da ocupaçom-pacificaçom através de novos padrons de socializaçom.  A estratégia expansionista do novo poder económico, tecnológico e industrialista, em coligaçom com as velhas e novas infraestruturas, surge como umha característica central de um novo colonialismo sobre a nossa terra, de umha nova hegemonia cultural espanholista, que altera tam drasticamente as relaçons sociais que as inviabilizam como suporte de um sujeito nacional, capaz de colonizar até a compreensom que da vida em comum podamos ter os galegos e galegas.
       Este limiar de destruçom do nosso complexo territorial natural, de desagregaçom do nosso tecido social, de borrado das nossas tradiçons, da nossa memória colectiva, da nossa cultura e o nosso idioma, marca um limite inequívoco de tolerância. Nom podemos aguardar por umhas instituiçons verdadeiramente nacionais e populares que sirvam de muro de contençom a esta desfeita porque, neste âmbito, a correlaçom de forças é demasiado vantajosa para as forças negadoras e destrutivas da nossa naçom. É por esta razom que temos de implementar já, medidas drásticas de contençom.

       Como dizíamos há seis anos, o mais importante nom é quem bate senom em quem se bate. Os tempos dos protagonismos e os teoricismos vazios remataram. Centramo-nos no fundamental: unidade, organizaçom popular e extensom da rede combativa. Nesta linha afrontamos o futuro mais imediato.

       A resistência galega é umha ferramenta fundamental de futuro, ao serviço incondicional da defesa da nossa Terra, da construçom nacional, da independência. É a resposta mais realista e pragmática ao atual estado de crise social, económica e ecológica. Para assegurar o nosso futuro como naçom as decisons tenhem que vir de abaixo e nom das mesmas camarilhas ególatras  e entreguistas de sempre.  Há que romper com a decadente ordem institucional espanhola, avançar  cara amplas configuraçons políticas soberanistas galegas. Temos que ser capazes de criar um poder popular que desenvolva novas instâncias de participaçom, articulaçom e integraçom comunitária.

       A resistência galega continuará os ataques armados contra interesses do conglomerado de ocupaçom e os seus objetivos de construir um novo tipo de espaço económico e social na Galiza para alimentar as novas cadeias de valor capitalista. Prosseguirá os ataques contra todas as pessoas, organizaçons ou instituiçons comprometidas com o regime de ocupaçom, exploraçom e destruiçom do nosso país. Os inimigos da nossa terra devem saber que Galiza nem se vende nem se destrói, que o povo galego nom se submete. Se se empenham no contrário deverám ater-se às consequências.



                       ADIANTE A RESISTÊNCIA GALEGA
                       GALIZA CEIVE, PODER POPULAR
                       ANTES MORTOS QUE ESCRAVOS

 

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Comentarios 58 comentarios

21 TXmTgMLygxhjWARLup

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20 IvXuaLGQUEEDaunvYb

That's a geinuelny impressive answer.

19 León Gallego

Joder, menudo rollo el manifiesto ese. Encima está escrito en portugueseiro y no me fatiga más leerlo que aguantar un discurso de Fidel. En otro orden de cosas, pido por favor a los xOsse, Manolo2, terminal, Lucense, filantrópico y demás lumbreras que no cambiéis nunca y continuéis con vuestros comentarios. Tengo que secarme las làgrimas de las carcajadas. Lo máximo.

18 Pedro2

Quen estará detrás destes? Está claro que non benefician a loita dos galegos e das galegas pola independencia. Se eu fose dos servizos secretos do Estado procuiraría que existise un grupo así, onde recalasen os incautos e que non supoña ningún perigo para o Estado.

17 Cidre

Esta gentuza fai-nas, e depois ficam a laiar-se desde a prissao. Falam en nome dum povo que desconheçem. Som marginais em uma Galiza moderna e depois querem ir de vítimas. As súas garatuças nao tenhem cavida na Galiza do século XXI. Ide tomar pelo c...