Todas as histórias têm um início

Todas as histórias começam pelo princípio. É a sua natureza. Esta história começa há cerca de 11 anos, ia o ano de nosso senhor 1998 quando, quase por acidente, tropecei num grupo de galegos encabeçados pelo que viria a ser o meu querido amigo Xurxo.

Por Bernardo Ramírez | Lisboa | 20/01/2010

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O local era na Bélgica, reunidos todos com a intenção de organizar um evento com estudantes de jornalismo de toda a europa em Santiago de Compostela e Lisboa. Nessa altura não conhecia quase nada sobre a Galiza, mas conhecia o meu sangue andaluz e o prazer que tinha nessa atlanticidade comum que tanto nos alegrava.
 
Naqueles momentos não existiam fronteiras nem ibéricas, nem europeias, e durante um ano aprendi a gostar e a amar esta estrada Lisboa - Porto - Viana do Castelo - Vigo - Pontevedra - Santiago. Ela conduzia-me a cheiros, a sons e a paladares que me levavam para lugares novos, para desafios novos e para pessoas novas. E essa descoberta é sempre tão doce.
 
Em Santiago descobri as ruas cheias de pessoas, os pimentos de padrão, o polvo à galega, os sorrisos e as músicas regados com sidra. Ao mesmo tempo ia evoluindo na minha carreira como aluno de comunicação social e cultural. Correu a preparação e correu o evento e tudo correu tão bem.
 
Afinal aquilo que nos unia era muito mais do que o que nos separava. Durante o congresso, alguns europeus mais conservadores queixavam-se das horas e da falta de pontualidade, do braulho e da confusão, mas os mais bem dispostos já perguntavam se tínhamos inventado um fuso horário novo: iberian european time.
 
Os meus laços com a Galiza continuaram a crescer. Cada vez mais tenho vindo a descobrir a beleza das paisagens, a simpatia das pessoas, a qualidade da comida e da bebida, e, acima de tudo, essa natureza tão humana e carinhosa de se ser galego (ou atrevo-me a dizer galaico-português).
 
Por isso foi com grande alegria que recebi o convite de escrever para o Galiza Confidencial. Porque gosto da indepêndencia, porque gosto da coragem, e porque gosto da simplicidade e do rigor, tudo características que tenho encontrado neste portal.
 
Espero que as minhas crónicas, acima de tudo, vos tragam também um pouco de Portugal e do que se passa por cá.
 
Não sou especialista em jornalismo, nem sou jornalista, sou um pensador-escritor que gosta das palavras, do seu som e forma e que tenta prestar atenção ao que lhe rodeia sem dar demasiada importância ao que aparece nas notícias.
 
Um dia disse a um amigo: escrevo por duas razões, primeiro porque gosto de escrever, e depois porque gosto que me leiam.
 
Continua a ser assim.

Bernardo Ramírez




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Comentarios

7 comentarios
7

Margarida

Pois!...E eu que sou apenas, portuguesa, nascida na serra da Estrêla e criada em Lisboa; com muitas raízes espalhadas pelo mundo, e concerteza por isso, nem daqui nem dacolá...mas cidadã do Mundo; também me congratulo com estes acontecimentos! Também gosto de boa comida, de cantar, dançar e principalmente saborear um saudável convívio! Boas notícias!!


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Bernardo Ramirez

Faragunde obrigado pelas tuas palavras. Ia gostar de saber mais de ti para o meu email bernardorosaramirez @ gmail . com Unha forte aperta


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Faragunde

Bernardo, estaremos atentos ás túas palabras e ás túas historias. Sabemos que tes moito por dicir que é do noso interese. Alégrome de que te atrevas a reafirmarte como galaico-portugués, ou mesmo lusogalaico, como lles gusta chamarlles aos seus negocios os minhotos de Vilanova de Cerveira, por exemplo. Coincidimos nun par de ocasións, aló polo 99, no Porto e en Lisboa, pero foron de abondo para saber da túa valía. Anímote, logo, a que nos contes verdades como puños sobre os temas que consideres oportunos.


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Isabel Blanco Ferreira

E eu que sou iberica, de raiz celta: filha de galego e minhota, corre no meu sangue essa forma de estar no mundo muito especial e que é comum a galegos e minhotos: a coragem, a humildade, a alegria, o espírito de luta, o prazer da comida e da dança e ainda esse sentimento de saudade permanente que só o português e o galego conhecem pois ambos dizem saudade ou soidade, respectivamente.E ainda, como Peregrina de Santiago (em 2010 pela 5ª vez)levo Galicia no meu coração... Cá fico à espera das tuas belas e generosas palavras sobre Galicia e Portugal Un abrazo e un biquiño


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Bernardo Ramirez

Espero que continue a ser interessante.


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Certo

Contubernio luso-galaico! Isto ponse interesante!


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Rui

Eu sou um leitor português, de Viana, e levo algum tempo a olhar para esta web. Trabalho na Galiza, en Vigo, e gosto de saber o que se passa aquí. É um orgulho saber que um outro português também vai escrever aquí. Portanto, a voz do nosso país também serão lida aqui.


Bernardo Ramírez

Bernardo Ramirez nasceu en 1974 en Faro. É apaixonado pelos seres humanos e pela vida. Formou-se em Constelações Familiares e em Constelações Organizacionais. Desenvolve em parceria o projecto “ Pedagogia Sistémica” (porque o sistema escolar representa o futuro). Tem um portal onde fala das Constelações, da Comunicação e da Tecnologia. Tenta ser estudante permanente e interessa-se por temas de Desenvolvimento Humano, da Comunicação e pela Tecnologia em geral. Formou-se em Comunicação e Novas Tecnologias.