No mundo existem uma espécie muito especial de pessoas que se dedica a ajudar os outros: poderíamos chamá-los de ajudadores compulsivos.
Estas pessoas dedicam grande parte do tempo a fazer coisas, normalmente coisas para os outros. Na sua presença as pessoas que restam não precisam de fazer nada. Eles limpam, organizam, arrumam, tratam, cuidam, estimam. E não interessa bem quem possa ser: os amigos, os vizinhos, os pais, os filhos e até os desconhecidos.
Essa necessidade compulsiva de ajudar, no entanto, cria uma confusão complicada: porque tudo muda, as pessoas que gostam, apreciam e até usufruem da ajuda dos tais especialistas um dia deixam de precisar ou querer e, nesses instantes, os ajudadores ficam sem saber o que fazer.
Para eles, terem pessoas que precisam deles é quase o mesmo de serem amados, e para alguns é o mesmo. E por isso, quanto mais coisas fazem, quanto mais ocupados estiverem, quantas mais pessoas precisarem deles, maior a alegria e a sensação de satisfação, por um lado, mas do mesmo modo a sensação da não recompensa, do não reconhecimento do outro.
Sem perceberem porque, ficam revoltados com as pessoas por não os apreciarem, não lhes agradecerem, e não reconhecerem o seu esforço. Tantas vezes esquecem que o esforço enorme deles é para os beneficiados uma coisa simples, sem esforço nenhum.
E na vida tudo o que não trabalhamos para conquistar também raras vezes conseguimos valorizar.
Assim eles trabalham sem fim para os outros se sentirem felizes e com as suas necessidades supridas. E como os outros não se têm de esforçar, não sentem essa enorme regalia que é ter alguém na sua vida que resolve todos os nossos problemas.
Estas pessoas são fundamentais ao mundo e aos outros, tornam-nos a vida fácil e agradável. Mas tantas vezes são os seus piores inimigos. Estes imensos dadores encontram-se tantas vezes sozinhos quando são eles a precisar de afecto, carinho e atenção.
Nesses momentos, os outros estão pouco habituados a que os dadores precisem de ajuda, esquecem-se de olhar e sentir e perceber as suas necessidades.
Assim, este caminho é um convite aos dadores, aos generosos seres que só sabem ajudar e pensar nos outros: desistam, rendam-se, demitam-se dessa tarefa tão pesada e desequilibrada. Façam uma t-shirt a dizer: DEMITO-ME e usem-na com orgulho.
Aprendam a pensar primeiro em vocês, e a construir relações de amor que não sejam de dependência, nem de trabalho, nem de satisfação de necessidades. Só mesmo de amor.
Vocês são os maiores, e nesse mar de necessidades o amor tem de vir em primeiro lugar. E o amor não precisa de correspondência. Não é carente. Não impõe regras.
PS: Esta crónica é especialmente dedicada à minha amiga querida RM, uma das pessoas mais fortes e generosas que conheço.
Bernardo Ramírez
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Obrigada Amigo. Amo-te a ti que sei que não precisas de mim e de quem eu não preciso :-) Obrigada. Beijos, com saudades
"e nesse mar de necessidades o amor tem de vir em primeiro lugar. E o amor não precisa de correspondência. Não é carente. Não impõe regras." Tão bom, tão verdadeiro e também tão exigente.
Canta razón levas meu o problema é que neste mundo capitalista primeiro está o material e logo o persoal. Unha desgraza.
Bernardo Ramirez nasceu en 1974 en Faro. É apaixonado pelos seres humanos e pela vida. Formou-se em Constelações Familiares e em Constelações Organizacionais. Desenvolve em parceria o projecto “ Pedagogia Sistémica” (porque o sistema escolar representa o futuro). Tem um portal onde fala das Constelações, da Comunicação e da Tecnologia. Tenta ser estudante permanente e interessa-se por temas de Desenvolvimento Humano, da Comunicação e pela Tecnologia em geral. Formou-se em Comunicação e Novas Tecnologias.
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