A manifestaçom do 25 de julho

As discussons internas dos movimentos políticos ficam quase sempre longe do dia a dia dos setores sociais aos quais estes dirigem o seu trabalho.

Por Bruno Lopes | Compostela | 06/07/2011

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Como integrantes da Direçom Nacional de NÓS-UP e participantes habituais nas reunions de Causa Galiza, as abaixo assinadas queremos fazer públicas as causas que, na nossa opiniom, levárom a que Causa Galiza deixasse de representar um espaço unitário para se converter numha articulaçom frentista de umha parte do independentismo galego.

Neste ano, cumpre-se a primeira década de vida da que seguramente tenha sido a mais séria tentativa unitária sob os parámetros da independência, o socialismo e o feminismo na Galiza: NÓS-Unidade Popular. Se o seu nascimento foi já umha tentativa unitária em si mesma, ao longo destes 10 anos NÓS-UP nom deixou de lançar iniciativas nessa direçom. Por falarmos das duas principais, primeiro lançou as Bases Democráticas Galegas e, mais tarde, Causa Galiza. Nos dous casos, nom foi possível ultrapassar a divisom, nem que só fosse para trabalharmos conjuntamente na socializaçom da reivindicaçom autodeterminista.

Talvez seja o caso mais recente, o de Causa Galiza, o que mereça umha maior explicaçom por parte da força inicialmente impulsionadora, umha vez que é conhecida a nossa decisom de, perante a falta de condiçons, retomar a iniciativa própria à margem dessa plataforma.

Nada mais longe da nossa vontade que, a partir desta nova tentativa frustrada, lançar umha sucessom de insultos contra as restantes correntes participantes na iniciativa. Mal faríamos, igualmente, se defendêssemos que a nossa organizaçom, NÓS-Unidade Popular, fijo bem todo. Comecemos, portanto, por reconhecer carências da nossa parte, que nos figérom entregar-nos, já desde 2001, com aberta paixom e entusiasmo, a propostas unitárias que só partiam de três condiçons: o reconhecimento da pluralidade do movimento, o seu caráter nitidamente de esquerda e a absoluta autonomia face o projeto regionalista representado polo BNG.

Se algo devemos aprender da dinámica que nos mantém na divisom atual é que nom chega com entusiasmo nem com paixom para avançar. Há que ter em conta outros muitos factores, incluído o procedimento que pode favorecer ou travar o avanço. Assim, devemos reconhecer que nengumha das tentativas unitárias da última década partiu da prática diária em comum, cotovelo com cotovelo, entre a militáncia concreta das diferentes correntes, limitando-se a acordos entre as direçons, dificilmente transferíveis às bases quando de facto continuava a alimentar-se o divisionismo. A responsabilidade nessas carências, que Causa Galiza continua a arrastar, corresponde a todos e todas as participantes, incluída a nossa corrente política.

Porém, o principal ataque que a militáncia de NÓS-UP sofreu por parte de alguns dirigentes das outras correntes foi derivado do nosso envolvimento total no projeto e da nossa atuaçom "excessivamente" disciplinada. Daí véu a acusaçom de "dirigismo" que, por sua vez, provocou que déssemos um passo atrás cedendo a iniciativa a esses companheiros "críticos". Aí a acusaçom passou a ser a de "falta de implicaçom" ou mesmo "boicote".

Nom entraremos a discutir agora se tais críticas tinham ou nom algumha base real, nem a comparar a participaçom e atitude de NÓS-UP com a doutras organizaçons em cada etapa e até hoje, porque nada adiantaríamos já. Porém, sim queremos sublinhar a nossa total frontalidade na hora de discutir e confrontar visons políticas com uns e outras, defendendo abertamente as nossas posiçons em cada reuniom, em cada assembleia. Quem nos conhece, sabe que essa é a prática permanente da nossa corrente política em todos os foros e espaços de trabalho social e político em que participamos, sem medo a ficarmos em posiçom minoritária, como tantas vezes nos tem acontecido.

Num país em que a esquerda nacionalista foi em grande medida construída sobre umhas práticas burocráticas e antidemocráticas cuja representaçom organizativa mais clara é o atual binómio UPG-BNG, da qual som devedoras a maior parte das correntes hoje existentes na esquerda independentista, os hábitos de abertura e sinceridade no confronto de ideias nom som bem digeridos. A escassa consideraçom por esses factores motivou boa parte dos erros cometidos por NÓS-UP nestes anos, no referente à construçom da unidade independentista.

Aos companheiros e companheiras participantes nos processos no seio doutras organizaçons corresponderá fazerem a sua correspondente autocrítica. Quanto a nós, devemos dizer que nom é possível construir ambientes de trabalho em comum com a hostilidade como permanente companheira, nem com a declarada intençom de excluir umha das partes (a representada por NÓS-Unidade Popular) como carta de apresentaçom por parte de alguns dos participantes.

Seguindo um paranoico fio condutor que ingenuamente persegue a nossa destruiçom, investindo mais recursos e energias em combater-nos em base a calúnias e injúrias que em fazer frente ao inimigo, gerárom umha atmósfera interna onde é impossível compartilhar espaço de trabalho e luita.

Assim tenhem sido mais de três anos de convivência carregada de turbulências e tensons, de constantes confrontos políticos onde as desqualificaçons substituírom os naturais debates ideológicos e as divergências políticas de umha iniciativa onde a pluralidade formava parte da sua identidade, mas alguns sempre tentárom e procurárom por todos os meios a nossa exclusom.

Como pano de fundo ideológico, nom podemos deixar de sublinhar a falta de assunçom dos princípios que NÓS-UP colocou sobre a mesa desde o primeiro dia para que a unidade fosse possível. Sempre dixemos que nom participaríamos num projeto ao serviço do essencialismo nacional, nem praticaríamos o reformismo interclassista, nem faríamos parte de umha esquerda que segue sem quebrar o cordom umbilical com o autonomismo, que esquece o caráter emancipatório do feminismo. Dentro desses parámetros, o pluralismo dentro do movimento deve nom só ser reconhecido, como fomentado enquanto garantia de democracia interna. Infelizmente, nom todos os companheiros e companheiras assumem tais princípios, que nós consideramos irrenunciáveis.

Temos cometido erros. Deveremos corrigi-los no futuro. Porém, de nada serviria forçar processos que nom estám maduros e que requerem de umha verdadeira mostra de interesse no dia a dia por parte dos eventuais participantes, o que evidentemente nunca aconteceu na plataforma Causa Galiza. Contra o que alguns poderiam julgar, o afastamento de NÓS-UP relativamente a Causa Galiza nom está a dinamitar nengumha unidade, porque essa unidade é fícticia e, infelizmente, até hoje nunca existiu entre as diferentes correntes integradas nessa plataforma.

Porém, se como alguns pensam, NÓS-Unidade Popular era o obstáculo para um suposto processo unitário, a nossa organizaçom deve permitir que aqueles que figérom da nossa exclusom umha prioridade mostrem agora qual era o projeto que queriam construir.

A nossa corrente política continua a manter a mesma aposta aprovada na sua Assembleia Nacional Constituinte de 2001. A unidade real, nom superestrutural nem oportunista, da esquerda independentista continua a ser umha demanda histórica e um objetivo estratégico, e NÓS-UP deve ser umha ferramenta ao serviço da Unidade Popular.

A partir dessa premissa, a nossa tarefa deve ser hoje afirmarmos o nosso projeto político, independentista, socialista e feminista. Isso exige sairmos à rua e ganharmos o povo trabalhador para a causa da ruptura democrática e da revoluçom socialista. É isso que faremos neste 25 de Julho, Dia da Pátria, na manifestaçom convocada por NÓS-Unidade Popular, e é isso que continuaremos a fazer o resto do ano, como sempre figemos.

O tempo dirá se no futuro será possível construir um espaço unitário estável mas, entretanto, esperamos coincidir, nas luitas concretas que vam vir, com aqueles companheiros e companheiras que, mantendo diferenças, coincidem connosco no fundamental. E, sobretodo, esperamos poder contribuir para a articulaçom do povo trabalhador galego frente às agressons cada vez maiores do capitalismo espanhol.

Quanto a nós, nengumha recriminaçom, nengum rancor. NÓS-Unidade Popular continuará a trabalhar por mudar as condiçons materiais do nosso povo, no caminho da unidade na luita, por umha Galiza livre, vermelha e lilás.

Nota do GC.- Patrícia Soares Saiáns e Bruno Lopes Teixeiro, membros da Direçom Nacional de NÓS-UP, son os dous autores do presente artigo.

Bruno Lopes




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Comentarios

57 comentarios
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    Que triste

    É tristiño, un grupo que colle nun taxi e que pontifica sobre a unidade e o malos que son os demais.


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    Bruno Lopes

    Naceu en Ferrol. É integrante da Dirección Nacional de NÓS-UP, partido do que é responsable de Organización.