Artigos de Ramón Varela

Menos mal que nos queda Portugal!

Algumas pessoas consideram que cambiar a ortografia da nossa língua, assemelhando-se mais a modalidade que se desenvolveu além Minho e não ao espanhol, seria próprio dos que querem fugir do âmbito espanholista para cair nas garras do lusismo, e inclusive alguns pretendem que o que cumpre é ter uma normativa própria, independente das duas, que até o momento presente não se realizou, salvo que se lhe chame assim ao feito de criar palavras artificiais, como “respecto”, que nunca ninguém pronunciou nem pronuncia no nosso pais, ou recorrer a diferencialismos artificiais derivando as palavras do nominativo latino, como tempada, quando o normal é fazê-lo a partir do genitivo, como em temporada, jurídico, etc.

A liberdade liberal

A liberdade pode ser entendida dum modo negativo, como ausência de impedimentos, de obstáculos para obrar, que se traduz à linguagem corrente na frase «que cada um faça o que lhe dá a ganha»; neste sentido, um prisioneiro não é livre de passear pola cidade e o escravo está submetido ao seu amo.

Outra mensagem real

Elegeu-se o dia 24 de dezembro para o discurso do rei porque é um dia entranhável e ao pôr o discurso esse, a Casa Real intenta apropriar-se deste caráter entranhável fazendo passar a monarquia também como algo entranhável para os cidadãos. Mas isto é impróprio porque a monarquia espanhola é filha da ditadura mais sanguinária que regeu os destinos disso que se chama Espanha, e nunca foi legitimada polo voto popular.

Precursoras medievais do feminismo: as beguinas

O que se pode fazer um movimento inovador e a sua sorte depende do contexto sócio-histórico no que tem que desenvolver-se.

Uma normativa prejudicial para o galego

Promover ou utilizar uma normativa ou outra para uma língua não tem que ver com as qualidades morais pessoais dos que a promovem ou sustentam, senão com posicionamentos político-culturais acertados ou desacertados; e eu considero que a eleição da normativa atual do galego é muito desacertada. Quando eu comecei a utilizar a normativa do galego internacional ou reintegrado, aludi a que era uma questão política, igual que a minha própria, se bem considero que a minha opção é muito mais favorável para o devir do nosso idioma.

A espiritualidade cristã

Dizia Marx que somente sabia uma cousa, que era que ele não era marxista, e quiçá Jesus diria o mesmo se vivesse nos nossos fias.

Loa à hispanidade

Os políticos espanholistas não têm recato nenhum em distorcer o relato da conquista de América até limites que raiam com o ridículo e que denotam uma falta total de pudor intelectual. Pablo Casado tem afirmado que “a Hispanidade é a etapa mais brilhante da história do homem”. É sintomático que nenhum político o desacreditar publicamente por estas arroutadas totalmente sem sentido, que desautorizam publicamente como um fala barato a quem as pronuncia. É louvável que alguém pretende insuflar ânimos numa cidadania desanimada polos escândalos de corrupção em todos os estamentos da política espanhola, mas isto não se consegue com uma idealização utópica dum passado inventado para consumo interno de incautos e desinformados. Como necessitam este caldo de cultivo para tapar as próprias vergonhas, negam-se a pedir perdão pola comissão dum autêntico genocídio na América.

Independência e imparcialidade da justiça

Entendo que o advogado de Puigdemont, Gonzalo Boye, é uma pessoa lúcida, que nos brinda nos seus artigos uma visão do direito penal que considero, em termos gerais. acertada, mas não posso compartir a filosofia política de algum dos seus últimos artigos, nos que trata de persuadir-nos de que o problema da justiça é Espanha não é a sua independência, porque “cada juiz, individualmente considerado, é, sem dúvida, independente para tomar as decisões que, conforme a direito, considere que deve tomar; são independentes porque têm assegurada, entre outras cousas, a inamovilidade”.