Artigos de Ramón Varela

Sustentação da monarquia

Se o número de reis e rainhas fosse um indicativo de eficiência e bom funcionamento dum sistema político, Espanha seria o melhor país do mundo, mas como o regime do 78 funciona francamente mal, já sabemos que nem o número nem a qualidade dos seus chefes de Estado têm nenhum mérito a este respeito. De igual modo poderíamos afirmar que se o número de aforamentos fosse um indicativo do bom funcionamento da justiça, Espanha teria o melhor sistema político do mundo, mas como a justiça, nos seus níveis superiores, funciona muito mal, logo também algo pode ter que ver os sistema de aforamentos e a eleição dos juízes.

A eutanásia segundo a CEE

Li um artigo do meu amigo Torres Queiruga, titulado «A eutanasia, cuestión humana» e realmente fiquei surpreendido porque considerava que o seu pensamento se desmarcava do posicionamento da igreja oficial e que oferecia algo novo ao pensamento teológico galego atual, especialmente em temas muito próprios dos nossos tempos, como é o da eutanásia,mas fiquei decepcionado ao ver que coincide com o documento da Conferência Episcopal Espanhola «Semeadores de Esperança», ao que remite os leitores. O que vou dizer, portanto, refere-se tanto a um como à outra.

Humilhação da justiça espanhola!

O Conselho Geral do Poder Judicial pediu mesura a Pablo Iglesias por ter afirmado que os tribunais europeus humilharam aos tribunais espanhóis nas sentenças relacionadas com o procés, e pedem que não sejam utilizados politicamente.

Os filhos não pertencem aos país!

O 17/01/2020 a ministra Celáa declarou, repetindo outras declarações no mesmo sentido do papa Francisco, que «não podemos pensar de nenhuma das maneiras que os filhos pertencem aos pais», declarações que levantaram uma grande poeirada mediática, o qual indica que quiçá a sua formulação não fosse totalmente acertada. Parece evidente que os filhos não pertencem aos pais no sentido de serem estes proprietários deles.

Sentença do TJUE de 19-12-2019

Que faço eu, que não tenho a carreira de direito, metendo-me a opinar nestes assuntos? Pois singelamente, eu são um afeiçoado nestas lides jurídicas, mas como professor de ética, que tinha como cometido explicar os direitos humanos, não me arredo de manifestar também o meu ponto de vista, como também sempre permiti que qualquer pessoa, incluso leigo nas matérias que eu lecionava, expressasse o seu.

Catalunha não é uma nação?

Estes dias anda o Pablo Casado a pregoar aos quatro ventos que Catalunha não é uma nação, e que Espanha é a única nação existente no Estado espanhol. Com estas afirmações o que pretende tanto ele como em geral os partidos coligados em Andaluzia, é reafirmar até o paroxismo o nacionalismo rampante espanhol, chauvinista e intransigente, para homogeneizar a população do Estado e construir um homo hispanus novo, deslumbrado por slogans e símbolos vazios, com a finalidade de procurar adesões a custo zero e alta rendabilidade política.

Necrolatrismo constitucional

O termo necrolatría provém de duas palavras gregas: necrós, que significa morto, cadáver, e latreis, que significa culto, adoração. Portanto, neste caso trata-se da veneração a um cadáver político, que é a Constituiçao espanhola de 1978.

Alguns fitos das eleições: Sánchez, Vox e BNG

Nas eleições dos 10 N produziram-se alguns fitos ou acontecimentos salientáveis que atiraram a atenção da cidadania: um foi a afirmação de Pedro Sánchez de que a procuradoria (fiscalia) depende do governo por ser este quem o nomeia, e isto seria, segundo ele, o que lhe permitiria repatriar a Puigdemont e entregá-lo à justiça.