Artigos de Ramón Varela

Necrolatrismo constitucional

O termo necrolatría provém de duas palavras gregas: necrós, que significa morto, cadáver, e latreis, que significa culto, adoração. Portanto, neste caso trata-se da veneração a um cadáver político, que é a Constituiçao espanhola de 1978.

Alguns fitos das eleições: Sánchez, Vox e BNG

Nas eleições dos 10 N produziram-se alguns fitos ou acontecimentos salientáveis que atiraram a atenção da cidadania: um foi a afirmação de Pedro Sánchez de que a procuradoria (fiscalia) depende do governo por ser este quem o nomeia, e isto seria, segundo ele, o que lhe permitiria repatriar a Puigdemont e entregá-lo à justiça.

A quem votar o 10/11/2019?

O 8/09/2019 publiquei um artigo no que perguntava: Por que Pedro Sánchez nos embarca em novas eleições?” dando já por descontado que estávamos chamados a votar ao ver o espetáculo teatral que nos oferecia o Secretário Geral do PSOE para evitar assumir a sua responsabilidade de repetir desnecessariamente as eleições e transferir-lhe a culpa a Unidas Podemos.

Condenados todos os povos do Estado espanhol

A sentença contra os impulsores duma consulta popular de caráter pacífico promovida polos dirigentes catalães foi claramente uma condena política, que estava programada de antemão que seria dura e sem contemplações.

Custódia compartida

A legislação sobre a custódia dos meninos em caso de separaç4ao dos pais é um tema candente que ainda não está resolvido satisfatoriamente no Estado espanhol e só se poderá legislar mais atinadamente sempre que não se parta de prejuízos a priorí e se reconheça a realidade dos factos. Simplificando, pode-se dizer que a custódia pode ser a médias ou custódia compartida ou que convivam mais tempo com um dos progenitores, que chamaremos custódia preferente. A questão que surge é qual é a melhor alternativa?

Da autodeterminação à determinação

O reconhecimento dos direitos humanos é o que distingue aos povos mais civilizados e de maior elevação moral, que é um conceito muito distinto do estado de direito. Quando não se cumprem os direitos dos indivíduos ou dos povos, surge a repressão, e então acode-se como um talismã, à insistência no estado de direito. Evidentemente que temos que cumprir as leis, mas os poderes públicos têm que cumprir e fazer cumprir os direitos humanos, que constituem a quinta essência de qualquer ética que se preze e, portanto, duma convivência civilizada.

Por que Pedro Sánchez nos embarca em novas eleições?

Vivemos numa sociedade na que os políticos atuam cada vez mais dum jeito maquiavélico, subordinando os princípios éticos aos interesses políticos, utilizando a mentira, a distorção dos factos, a censura encoberta, a fabricação de relatos e a repressão como armas políticas, e a ética como um mero instrumento mais dessa falsificação da realidade. Se um fia do que dizem os políticos não será capaz de formar-se uma ideia clara do que acontece num país.

Veto de Pedro Sanchez a Pablo Iglesias

Não saio do meu assombro polas declarações de Pedro Sánchez a respeito do veto que lhe impôs a Pablo Iglesias para chegar a uma coligação de governo entre as formações do PSOE e de Unidas Podemos, nas que, entre outras cousas, verteu acusações de grosso calibre contra quem pretende que seja o seu sócio de governo. Num primeiro momento considerei que se tratava pura e lhanamente duma censura da liberdade de pensamento e manifestação dum partido político do estado espanhol de tendência esquerdista e unionista, mas parece que não é assim porque, ao aceitar o PSOE a outros candidatos a ministros desse mesmo partido no governo, não afeta diretamente às ideias, senão que é um veto ad personam, um veto à pessoa física do líder dessa organização a título individual.