Artigos de Ramón Varela

Veto de Pedro Sanchez a Pablo Iglesias

Não saio do meu assombro polas declarações de Pedro Sánchez a respeito do veto que lhe impôs a Pablo Iglesias para chegar a uma coligação de governo entre as formações do PSOE e de Unidas Podemos, nas que, entre outras cousas, verteu acusações de grosso calibre contra quem pretende que seja o seu sócio de governo. Num primeiro momento considerei que se tratava pura e lhanamente duma censura da liberdade de pensamento e manifestação dum partido político do estado espanhol de tendência esquerdista e unionista, mas parece que não é assim porque, ao aceitar o PSOE a outros candidatos a ministros desse mesmo partido no governo, não afeta diretamente às ideias, senão que é um veto ad personam, um veto à pessoa física do líder dessa organização a título individual.

Anova, rara avis

Anova é uma rara avis, um caso singular, no panorama nacionalista periférico espanhol e quiçá também a nível internacional. Em Marea, na que estava integrada ANOVA, atualmente em fase de clarificação, apresenta-se dividida em duas obediências, a villarista, na que desembocaram a maior parte das hostes da formação e que parece que se dotaram duma coesão interna e um programa coerente de obediência galega, e a de obediência beiro-sanchista, que pretende continuar dando tombos cara a nenhures.

Carvalho Calero, adail do reintegracionismo

Alguns vínhamos denunciando cada ano uma situação que considerávamos anômala, como é o feito de que o insigne proefessor Ricardo Carvalho Calero vinha sendo postergado indevidamente como a personagem elegida para ser homenageado o Dia das Letras Galega, que podia dever-se a uma espécie de censura tácita cara ao escritor ferrolão por ter sido o maior estandarte da posição normativa ortográfica conhecida com o nome de reintegracionismo.

Golpe de Estado independentista

Toda comunidade, seja democrática ou autoritária, rege-se por umas normas jurídicas, quer legislativas quer consuetudinárias, que constituem o seu estado de direito, e sem o qual a sociedade não pode funcionar.

Os ginetes do 155 cavalgam

Faz tempo que venho dizendo que Espanha não negocia nem negociou nunca os problemas territoriais, como o demonstra o feito de que todas as suas colônias tiveram que recorrer à violência para independer-se.

Fracasso do hibridismo

Já criticamos no seu momento as operações de mistura de projetos políticos que originariamente não compartiam o mesmo modelo de estado, ou seja, a maridagem de projetos nacionalistas galegos com projetos nacionalistas espanhóis. Este foi um erro persistente no nacionalismo e galeguismo do nosso país desde a transição de 1978 e praticada polos mesmos dirigentes que teoricamente manifestavam doestá-la. Desconfiando das suas próprias forças e da viabilidade dos projetos radicados na Galiza, espalhavam aos quatro ventos que os problemas galegos se resolveriam com a camaradagem com as esquerdas unionistas, e incluso se sugestionavam a si mesmos e fiavam a solução do problema galego ao convívio com as esquerdas europeias e espanholas, aliás fortemente espanholistas.

A eutanásia

A palavra eutanásia deriva de dous vocábulos gregos: eu, que significa bem, bom, e thanatos, que significa morte. Portanto, o vocábulo completo significaria boa morte ou bem morrer, uma morte aprazível, tranqüila, digna, diríamos hoje. Trata-se duma situação relacionada com a morte e na que o paciente sofre uma incapacidade total ou está submetido a doenças atrozes e se perderam totalmente as esperanças de vida.

Espanha deve pedir perdão?

Os conflitos com Latino-América sucedem-se periodicamente. Os da minha idade podem lembrar-se bem da enorme gafe diplomática do embaixador espanhol na Habana, Juan Pablo de Lojendio, marquês de Vellisca, que, considerando que todo é ourego, se apresentou nos estudos da Televisão cubana para repreender pessoalmente dum jeito visceral e impertinente ao líder máximo da revolução cubana Fidel Castro, por ter acusado ao governo espanhol e ao citado embaixador de conspiração e ajuda aos contra-revolucionários.