Artigos de Ramón Varela

Extra ecclesiam plena salus

O papa Francisco é uma boa pessoa, mas o pobre pode fazer o que pode fazer porque entre os dogmas inalteráveis, perenes e imutáveis e os seus confidentes ultra-arcaicos vê-se totalmente impotente para mudar as cousas qualitativamente e limita-se a gestos sugestivos, com pouca virtualidade para cambiar as estruturas da Igreja, por mais que algumas vezes não deixe de surpreender-nos positivamente. Ao ritmo que vai dentro de cinquenta anos pode que já coincidamos, ainda que não possamos ter consciência dessa concordância.

Matizações a Pablo Iglesias

O dia 7/04/2018, Pablo Iglesias teve uma intervenção num programa de televisão, na que fez umas manifestações com as que, em linhas gerais, concordo. No seu discurso reflete um ar fresco e inovador muito necessário nestes momentos. Há, com todos dous temas sobre os que discrepo polo menos parcialmente. O feito foi que o Domingo de Páscoa, á saída da missa da catedral de Palma de Malhorca, a rainha Letízia obstaculizou publicamente que a rainha Sofia, avó de Leonor, herdeira ao trono de Espanha, e da infanta Sofia, se fotografasse com as suas netas, ao tempo que lhe limpa a frente à sua filha a Leonor após depois de que a sua avó lhe desse um beijo. Ante este facto, Iglesias manifestou que isso pertencia à sua vida privada e que ele não tem direito a opinar dela senão só da vida pública dos monarcas.

Parabéns a Puigdemont

A solução do problema catalão não é um assunto que lhes concerne somente ao povo catalão, senão também aos demais povos integrados no Estado espanhol, fundamentalmente os bascos e galegos. Parece evidente que, com a judicialização da política, não se pretende castigar só uns determinados factos concretos dos políticos catalães, senão impor um castigo exemplar a estes para que sirva também de advertência do que lhes espera a bascos e galegos se adotam ações semelhantes.

Estado de direito e direitos humanos

Aos políticos espanhóis vai-lhes muito bem simplificar as cousas, criando estereótipos ideológicos por um processo de desprestígio social dos sectores implicados com o objetivo de combater as políticas contrárias aos seus preconceitos. Criam assim uma caricatura da realidade com a que, como quixotes,se assanham verbal e penalmente com objeto de obter uma rendabilidade eleitoral para si próprios. Criam esquemas simplificadores e deformadores da realidade que funcionam bem entre determinados sectores pouco críticos e de baixa formação intelectual. Foi o que passou com as organizações políticas bascas da esquerda abertzale que foram qualificadas simplesmente como E.T.A. apesar de que não propugnassem a luta armada e que muitos dos seus integrantes a rejeitassem expressamente.

Justiça de alpargatas

Quando falamos de justiça de alpargatas aludimos a uma justiça de andar por casa, e que nenhuma pessoa que respeite as convenções sociais poria quando acode a atos de sociedade, neste caso concreto, quando acode a instâncias penais internacionais. Referimo-nos às instâncias judiciais que estão relacionadas com o poder político, nomeadamente a Audiência Nacional, o Tribunal Constitucional, o Tribunal Supremo, o Conselho Geral do Poder Judicial e ministério fiscal. Todos estes são órgãos que, a través da sua nomeação, vem comprometida a sua independência real na sua atuação.

A misoginia no Novo Testamento

As mulheres estão de parabéns porque lograram demonstrar que estão fartas do trato dês-igualitário recebido polas diversas instituições e administrações e nisto concordam moças e velhas, ricas e pobres, cultas e incultas. Este êxito mobilizador motivou que recebessem o apoio verbal de diversos líderes tanto religiosos como políticos, mas devem saber que tales pronunciamentos são as mais das vezes mera pose e retórica e que as palavras leva-as o vento. As mulheres sabem bem que não precisam adesões, mas medidas concretas, tanto no eido político como religioso, que mudem a sua situação, tanto pessoal como sócio-laboral. .

Lições do processo catalão

Para compreender o bofetão que os unionistas lhe propinaram à reja personalidade política, socioeconômica e cultural que constitui o povo catalão, cumpre ter presente a situação política de que se parte. Na transição de 1978, da que tanto pavoneiam os seus usufrutuários, constituiu-se um estado autonômico, um produto típico espanhol, intermédio entre, por uma parte, o estado federal, pluri-soberano, que goza duma autonomia fundada na sua própria constituição que traduz a sua soberania originária, e, pola outra, o estado unitário, ou seja, com soberania única, que só dispõe, no melhor dos casos, de descentralização administrativa e não política.

O poder e os direitos humanos

O poder é a capacidade de mando, de domínio sobre os demais, a capacidade de fazer ou ser algo. Não se confunde com a autoridade, que é a capacidade de persuasão ou influência sobre os demais. Um pode ter muito poder e pouca autoridade, como o regime do general Franco, ou muita autoridade e pouco poder, como no caso de Castelao. O poder pode ser político, social, religioso...