Artigos de Ramón Varela

Da UPG e outras histórias

Cada quem fala da feira segundo lhe foi nela, e, por tanto o que eu poda dizer também está condicionado pelas minhas vivências e pelas minhas reflexões, que não têm por que ser compartilhadas por outros. Quero contribuir, desde a minha atalaia particular, ao processo de esclarecimento que pretende levar a cabo o BNG, neste momento difícil para ele.

Quo vadis, PSOE?

Repetimos, modificada, a pergunta que o apóstolo Pedro, quando escapava de Nero pela Via Apia, lhe fez a Jesus ao visioná-lo portando uma cruz: «Quo vadis, Domine». No caso presente, «A onde vais, PSOE?». Claro que poderia suceder que um ma-lintencionado, coma mim, se lhe ocorresse pensar que a pergunta que haveria que fazer seria: «Vais a algures, PSOE?». Há alguns indícios que são ilustrativos duma deriva ziguezagueante desta organização, tanto no terreno ideológico como na praxe política.

Reforma da Constituição

Com a Constituição de 1978 passou o que tinha que passar; o que é inevitável que passasse quando se põe em prática uma política que não é assumida com convicção e responsabilidade.

Organizemos o pos-totalitarismo ideológico

Segundo a RAE, “o totalitarismo é um regime político que exerce forte intervenção em todas as ordens da vida nacional, concentrando a totalidade dos poderes estatais nas mãos dum grupo ou partido que não permite a atuação doutros partidos”.

Ubi bene ibi patria

A expressão «Onde um está bem, ai está a pátria» remonta ao poeta trágico romano Pacúvio (220-130 a.e.c.) na sua obra trágica Teucer, fr. 291, citado por Cicerão (106-43 a.e.c.) nas Tusculanas, 5.37.108: «Patria est ubicumque est bene», A pátria está onde um está bem. É esta uma expressão que todo o mundo pode aceitar na sua generalidade, porque todo depende do significado que se lhe dê á palavra bem, que, como dizia Aristóteles, reviste muitos sentidos ao igual que a palavra ser.

Uma AGE rebatizada e um BNG refundado

Já dizia o velho Empédocles que os motores que regem o mundo são o amor e o ódio, dos quais o primeiro é a força unitiva e o segundo a força afastadora. Ambos movem montanhas, em palavras evangélicas, mas o primeiro constrói enquanto que o segundo destrói. Na Assembléia do BNG de Ámio de 2012 explodiram ressentimentos e dissensões longo tempo incubados que não acharam na organização uma via de solução; foi-se diretamente á confrontação e todos saíram perdendo, embora os restos da explosão tiveram distintas derivas. Mutatis mutandis é o mesmo que está a passar com Catalunya, que, ao não achar uma via de canalização das suas aspirações no Estado espanhol, rebenta e faz tensionar um sistema imobilista espanhol, fechado a todo câmbio no que respeita o sistema de distribuição territorial do poder.

Fracasso da candidatura unitária galega

Os que, coma mim, são pessoas independentes, ou como digo a vezes, tigres solitários na selva do nacionalismo galego, temos a desvantagem de não compartilhar os êxitos nem ter muitas possibilidades de ocupar postos de relevância, mas temos a vantagem também de não sofrer tão duramente, em primeira pessoa, os fracassos, de não participar nas animadversões que cria a convivência entre pessoas que buscam o protagonismo no seio das organizações, nem a responsabilidade dos fracassos, neste caso políticas, se não alcançam os objetivos propostos. É muito mais grave ainda quando essas animadversões e fobias criadas se convertem em leit motiv da própria atuação política.

O papa Francisco e a teologia da mulher

Quando um contempla o campo da história, não numa impossível viagem ao passado -Einstein dixit- senão numa viagem do passado cara a nós, que panorama divisamos?